Hoje, dia 29 de outubro, é comemorado o Dia Nacional do Livro. Essa data foi escolhida em razão do aniversário da fundação da Biblioteca Nacional. Então, faça um bom proveito desse dia, e vá ler um livro.
Aristófanes nasceu em Atenas e vivenciou o início da Guerra do Peloponeso. Dramaturgo grego, é considerado o maior representante da comédia antiga escreveu mais de 40 peças, sendo 11 delas conhecidas. Seus personagens são geralmente pessoas que exercem grande influência, como poetas, filósofos, cientistas ou políticos, podendo ser jovens, idosos, ricos ou pobres.
Lisístrata é uma comédia escrita em 411 a.C., época em que Atenas estava atravessando um período complicado de sua história. A peça faz uma crítica à guerra que acontecia e enfraquecia sucessivamente a Grécia, na qual atenienses tinham ao redor das muralhas de sua cidade as tropas de Esparta. Tal crítica se dá pela greve de sexo que as mulheres das cidades gregas fazem, lideradas por Lisístrata, até que seus maridos desistam da luta e instituam a paz. As mulheres também lutam para serem reconhecidas como algo além de um objeto sexual dos homens.
A comédia, apesar de ter sido escrita há mais de dois milênios, é outro exemplo das muitas obras que ainda conseguem tratar de um assunto tão presente na sociedade moderna. No caso: a luta das mulheres pelo seu reconhecimento.
Sófocles foi um importante dramaturgo grego, especializado em tragédias. Suas peças revolvem ao redor de personagens nobres e da realeza, infuenciado pelo fato de seu pai ser um rico comerciante. Nasceu nos arredores de Atenas, em Colono, na época do governo de Péricles, vivenciando o ápice da arte helenística. Embora Sófocles tenha escrito mais de 123 peças, a maioria perdeu-se com o desenrolar da história, sendo conhecidas apenas sete: “Ajax”, “Antígona”, “As Traquínias”, “Édipo Rei”, “Electra”, “Filocteste” e “Édipo em Colono”.
Édipo Rei é uma tragédia grega escrita por volta de 427 a.C. Faz parte da trilogia que inclui também “Antígona” e “Édipo em Colono”. O livro é baseado no drama vivenciado pelo personagem principal ao saber que matou o pai e desposou a mãe. Querendo chegar ao fundo da questão, segue em busca pela verdade. Essa busca leva à crise da história, típico do gênero dramático.
Apesar de ter sido escrita há alguns séculos, alguns aspectos da trama ainda se aplicam à sociedade atual, como, por exemplo, a constante busca pela verdade e conhecimento realizada pelo homem. Diz-se que o conhecimento é o caminho para a felicidade, o que não é realmente confirmado por Édipo. Antes de sair em busca de sua história, vivia feliz com Jocasta em ignorância. Assim a questão iminente é: o conhecimento nos torna realmente mais felizes ou o contrário?
Sófocles conseguiu expressar-se com sucesso, e consequentemente, provocar os sentimentos do leitor, levando-o a refletir sobre algumas das questões universais. Uma das questões mais discutidas na atualidade é se cada indivíduo faz seu futuro ou se é impossível fugir do destino já traçado. Sófocles apóia-se na teoria que defende que, independente de nossas escolhas, sempre terminaremos no que já fora escolhido para nós.
A obra de Sófocles é citada em “Poética”, de Aristóteles, como o mais perfeito exemplo de tragédia grega. A história de Édipo também serve de base para um estudo sobre a forma das leis da Grécia Antiga, realizado por Michel Foucault em seu livro “A Verdade e as Formas Jurídicas”. O enredo da peça é um dos alicerces da psicanálise clássica: Freud estabeleceu o “Complexo de Édipo”, no qual os meninos dirigem desejos e prazeres inconscientes à figura da mãe e a rivalidade no pai, graças à obra de Sófocles.
“Madame Bovary” foi escrita por Gustave Flaubert em 1857 e deu início ao realismo. Ao contrário da literatura romancista, a realista é objetiva e impessoal e foca na análise psicológica dos indivíduos. O livro é centrado em Emma, em seus impulsos, desejos, pensamentos. Há uma descrição minuciosa e detalhada dos personagens, objetos, cenários. Além disso, fica evidente a busca de Flaubert pela perfeição formal, ou seja, a procura pela palavra exata. Flaubert, expoente do formalismo, considera o modo de contar a história tão importante quanto seu conteúdo.
Uma grande polêmica envolve a obra, que sofreu acusações de ser “uma ofensa à moral pública e religiosa”, inclusive levando o autor a julgamento. Porém, ao invés de desestimular a leitura, isso garantiu publicidade ao romance.
A narrativa conta a história de Emma Bovary, uma moça interiorana que estudara em um convento e mora com o pai. Quando ele sofre um acidente, Charles Bovary é chamado para atendê-lo. Emma, que fantasiava sobre o amor, bailes e aventuras, vê no médico uma chance de realizar seus sonhos. Após o casamento, a moça vê-se presa em uma realidade monótona e medíocre. Sofre crises emocionais e tenta atenuar suas frustrações mundanas por meio da compra de itens que não podia pagar, acabando endividada. Além disso, Emma desgostava do seu marido, considerava-o indiferente às coisas que o cercavam, muito pouco ambicioso, o que a impossibilitava de ver um futuro próspero para ele. Charles não era capaz de lhe dar o que queria - o amor e a felicidade sobre os quais lia nos romances. Ele não era o príncipe encantado com o qual ela sonhava. Torna-se uma mulher tremendamente infeliz, amarga e desiludida e encontra um trágico final.
“Madame Bovary” ganhou três adaptações homônimas para o cinema. A versão de 1933 foi dirigida por Jean Renoir. Já a versão de 1949 foi dirigida por Vincente Minelli. A terceira versão foi lançada em 1991, dirigida por Claude Chabrol e foi descrita como um dos filmes mais provocativos do ano pela revista Rolling Stone.
A busca pela liberdade da personagem principal faz com que os leitores de distintos tempos e culturas identifiquem-se com ela.
Adaptação cinematográfica de “Madame Bovary”, dirigida por Claude Chabrol e lançada em 1991.